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Veja como o Brasil e outros países estão combatendo a transmissão vertical do HIV

Diminuir o número de crianças que nascem com HIV, essa é uma das metas da Organização Mundial da Saúde que visa reduzir para 2% a taxa de transmissão do vírus de mãe para filho. Na semana das crianças, a Agência de Notícias da Aids mostra o que o Brasil e o mundo tem feito para enfrentar a transmissão vertical do HIV.

Segundo a OMS, todos os anos 1,4 milhão de mulheres com HIV ficam grávidas no mundo. Se não receberem tratamento, as chances do vírus ser transmitido para o bebê variam de 15 % a 45%, durante as fases de gravidez, parto e amamentação. Mas o índice cai para pouco mais de 1% caso mãe e bebê recebam medicamentos antirretrovirais. O número de crianças nascidas com HIV caiu quase pela metade entre 2009 e 2013, passando de 400 mil para 240 mil.

O primeiro país a receber o certificado da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi Cuba. Para conseguir a certificação, é necessário que taxa de transmissão vertical chegue a níveis inferiores a 2% – ou seja, a cada 100 gestantes infectadas pelo HIV, nascem duas crianças, ou menos, com o vírus. O processo de avaliação obedece aos parâmetros da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e da OMS. Além de Cuba, Tailândia, Armênia e Moldávia também eliminaram essa forma de transmissão. Além desses país, nas Américas, estima-se que Estados Unidos e Canadá tenham estatísticas semelhantes.

O Brasil
A cidade de Curitiba foi a primeira a eliminar a transmissão vertical do HIV. Com o trabalho de prevenção realizado com as gestantes na capital paranaense, nos últimos dez anos, mais de 400 bebês de mães HIV positivo deixaram de ser contaminados. Entre 2007 e 2016, Curitiba registrou 926 casos de gestantes HIV positivo. Somente em 2017, foram registrados 62 casos de grávidas com o vírus. No ano passado, foram 88 casos.

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2017, a taxa de detecção de aids em menores de cinco anos tem  tendência de queda nos últimos dez anos, que passou de 3,6 casos por 100.000 habitantes em 2006 para 2,4 casos a cada 100.000 habitantes em 2016, o que corresponde a uma queda de 34%.

A região que obteve mais avanços foi a sudeste, com taxa de redução de 51%. Por outro lado, a região nordeste apresentou aumento do número transmissões verticais de 8,7%. O Rio Grande do Sul e Amapá apresentaram as taxas de detecção mais elevadas em 2016: 5,4 e 5,1 casos por 100 mil habitantes, respectivamente.

A cidade de São Paulo também já está elegível para receber o certificado da OMS. Já o estado do Amazonas, tinha, em 2014 uma taxa de transmissão vertical estagnada em 6,5%, registrando cerca de 20 novos casos por ano. Apesar das dificuldades, em 2016, esse índice reduziu em 50%.

“O diagnóstico no início da gestação possibilita o efetivo controle da infecção materna e a consequente redução da transmissão do HIV e do agente causador da sífilis para o bebê”, observa a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. No Brasil, segundo relatório Unaids de 2017, há 13 mil crianças, de até 14 anos, vivendo com o vírus. No entanto, apenas 5680 fazem tratamento antirretroviral.

Se a mãe tiver o devido acompanhamento, a chance de o bebê nascer com HIV é menor que 1%. As mulheres têm a recomendação de fazerem esses testes no primeiro e no último trimestre da gestação. “É importante ter dois testes porque só assim a gente vai garantir que esse bebê realmente nasça seguro, evitando que e criança seja infectada”, destaca.

América Latina avança
Segundo o informe Eliminação da Transmissão Materno-Infantil do HIV e da Sífilis nas Américas 2015, 17 países (nove a mais do que em 2013) apresentaram dados consistentes com a eliminação das duas enfermidades: Anguilla, Antígua e Barbuda, Barbados, Bermudas, Canadá, Chile, Cuba, Dominica, Montserrat, Porto Rico, Saba e São Cristóvão e Névis. Esses países e territórios concentram 34% dos nascimentos da região.

Em 2014, 96% das mulheres grávidas na América Latina e Caribe fizeram pelo menos uma consulta pré-natal, 75% fizeram o teste de HIV e 81% das que necessitam de tratamento o receberam. Esses números mostram aumentos de 2%, 21% e 45% respectivamente desde 2010, quando a OPAS/OMS e Unicef conceberam a Iniciativa Regional de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis Congênita, com o objetivo de apoiar os países nessa tarefa.

Cuba foi país pioneiro
Em 2015, durante cerimônia na sede da Organização Panamericana da Saúde (OPS) em Washington, a OMS entregou a Cuba a primeira certificação do mundo que estabelece que um país cumpriu o duplo desafio de eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho, bem como da sífilis congênita.

Em 2016, o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids, Unaids, mostrou que há 30 mil pessoas vivendo com HIV/aids no país. Segundo a OPAS, Cuba trabalhou para garantir acesso aos testes para HIV e sífilis desde o início do pré-natal, tanto para mulheres grávidas, como para seus parceiros. Além disso, o país garante cesáreas, substituição do aleitamento materno e tratamento para mulheres e bebês com diagnóstico positivo.

Como a Tailândia eliminou a transmissão vertical
Em junho de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a Tailândia conseguiu eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho. “Depois de 20 anos de esforços intensos nessa região, nós temos provas de que é possível assegurar a todas as crianças o direito de nascer livres do HIV”, disse, na ocasião, Marie-Pierre Poirier, diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central. A Tailândia foi o segundo país do mundo a obter esse tipo de validação da OMS.

Em 1997, pior ano da epidemia no país asiático, dois adultos a cada 100 mil estavam infectados pelo HIV. O governo investiu em campanhas educativas para uso de preservativos. Mais recentemente, a partir do ano 2000, incluiu a testagem voluntária para HIV aos exames que as gestantes fazem durante o pré-natal – cerca de 99% das mulheres grávidas receberam acompanhamento. Outra medida importante, tomada em 1995, foi a emissão de licenças compulsórias para produção de antirretrovirais no país. Além disso, em 1988, o orçamento do programa para HIV/aids era de US$ 684 mil. Em 1997, já chegou a US$ 87 milhões.

Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

Fonte: Agencia Aids