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Número de grávidas com HIV não para de crescer no Brasil

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/Aids, divulgado anualmente pelo Ministério da Saúde, o número de casos de grávidas com o vírus não para de crescer.

Entre 2008 e 2018, o índice de diagnósticos passou de 2,1 para 2,9 casos para cada mil nascidos vivos, o que representa um aumento de 36% no total de casos notificados por ano neste período.

De acordo com o órgão, este aumento pode estar relacionado ao fato de que, a partir de 2010, passou a ser obrigatório o teste de HIV para gestantes no pré-natal, na primeira consulta e no último trimestre.

Diferente do que se pode imaginar, esse é um número visto com bons olhos pelos especialistas, isso porque essa descoberta traz a possibilidade de início imediato do tratamento das mães e, consequentemente, acarreta na redução do risco da transmissão vertical.

Por fim, vale ressaltar, inclusive, que o número de transmissão vertical diminuiu pela metade desde 2010, passando de 3,9 para 1,9 casos entre 100 mil habitantes.

Onde estão essas gestantes com HIV?

Os dados oficiais mostram que desde 2000 as gestantes diagnosticadas são em sua maioria pretas ou pardas (61,7%), tem entre 20 e 29 anos (53,9%) e são analfabetas ou tem até 8ª série incompleta (42,4%).

“A epidemia no Brasil evoluiu muito para o lado da população desfavorecida economicamente e que muitas vezes vive à margem da sociedade. Estas mulheres sofrem todo tipo de violência, o que faz com que a questão do HIV não seja tão importante na vida delas”, diz Esaú João, coordenador do programa de prevenção materno-fetal de HIV do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HSE), no Rio de Janeiro.