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Espírito Santo registra queda de 10% na taxa de detecção de Aids

A taxa de detecção AIDS caiu 10% nos últimos cinco anos no Espírito Santo, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Além disso, a taxa de mortalidade, ou seja, mortes provocadas por complicações em decorrência doença, caiu em 19,6% de 2014 a 2017. De acordo com a Sesa, esta redução se dá pela ampliação do acesso à testagem e pela redução do tempo entre o diagnóstico e o tratamento.

Dados da Sesa mostram que no Espírito Santo, entre 1985 até dezembro de 2017, foram notificados 14.470 casos de HIV/AIDS, sendo 9.599 no sexo masculino (66,3%) e 4.871 no sexo feminino (33,7%). Do total de casos, 11.980 pessoas fazem tratamento com antirretrovirais – medicamentos utilizados no tratamento do HIV.

De acordo com a coordenadora Estadual do Programa de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Aids da Sesa, Sandra Fagundes Moreira, a maioria dos casos novos (70,8%) acontece por transmissão sexual do HIV, principalmente entre homens de 15 a 29 anos.

Somente em 2017 foram registrados 1.255 novos casos de HIV/Aids no Espírito Santo. O maior número de casos foi registrado entre os homens, totalizando 935 novos casos (74,5% do total de casos registrados no ano). Neste público, 458 casos foram registrados nos indivíduos entre 15 e 29 anos, um aumento de 43% se comparado ao ano de 2014, por exemplo, quando foram registrados 320 casos nessa faixa etária. Em 2018, até outubro, cerca de 800 novos casos da doença já foram notificados no Estado.

“A relação sexual desprotegida entre os jovens é a principal forma de contaminação, principalmente no sexo masculino. Quando a pessoa tem o diagnóstico precoce e inicia o tratamento imediatamente, é possível reduzir a transmissão sexual”, disse.

Ainda de acordo com Sandra, há 11.980 pessoas em tratamento no Estado. Deste total, 90% deles já estão com a carga viral indetectável. “A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o fim da epidemia do HIV é diagnosticar 90% das pessoas que sejam HIV positivo, e ter todas elas em tratamento com adesão, para que 90% destes estejam com carga viral indetectável (supressão viral, ou redução da circulação do vírus no sangue para menos de 1.000 cópias/mL), até o ano de 2020”, destacou.

Diagnóstico e tratamento

Descobrir precocemente se é infectado pelo vírus HIV permite o aumento da expectativa de vida da pessoa, pois com tratamento precoce não desenvolverá a doença. Por isso, é preciso realizar o teste de detecção do vírus com regularidade, buscar o tratamento imediatamente, ter adesão ao tratamento e seguir todas as recomendações médicas para se ganhar qualidade de vida.

O exame deve ser feito principalmente por pessoas que passaram por situações de risco, como ter mantido relações sexuais sem o uso de preservativos ou compartilhado seringas e agulhas, por exemplo.

O diagnóstico é feito a partir da coleta de sangue, e pode ser feito em laboratórios ou por testes rápidos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades de saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Nos casos em que o resultado for positivo, a pessoa será encaminhada para tratamento e acompanhamento em um dos 26 Serviços de Atendimento Especializado (SAE) em HIV/Aids do Estado.

De acordo com Sandra Fagundes, a proposta é que para 2019, esses acompanhamentos sejam oferecidos também nas unidades da Rede Cuidar. “Nossa proposta é que a partir de 2019 esses atendimentos sejam feitos em SAE Regionais e também na Rede Cuidar. Também temos uma proposta de ampliar os serviços do CTA para todos os 78 municípios do Estado. Atualmente o serviço funciona em 44 municípios capixabas”, disse.

O tratamento para pessoas HIV positivo é realizado com o uso de antirretrovirais. Segundo Sandra, o HIV é uma doença crônica e, apesar do uso diário dos medicamentos (dois comprimidos uma vez por dia), eles permitem que o paciente recupere a sua qualidade de vida, retorne ao trabalho e desfrute de suas famílias, ampliando sua expectativa de vida.

Crianças

Assim como os adultos, as crianças também podem contrair o HIV através de sangue contaminado ou por abuso sexual ou por uso de drogas endovenosas, mas na maioria dos casos, a criança se infecta com o vírus da Aids através da mãe, isto é, durante a gravidez, no parto ou através da amamentação.

No Espírito Santo, entre 1992 e 2017, foram registrados 406 casos de crianças menores de 13 anos com Aids por transmissão vertical, sendo que 325 destes são em crianças menores de 5 anos.

No entanto, nos últimos sete anos, a ocorrência de casos de Aids por transmissão vertical em crianças menores de 5 anos, tem diminuído no Estado. Em 2010 foram 12 casos, em 2017 foram notificados quatro novos casos de crianças com Aids, por transmissão vertical (queda de 66,7%). Este número representa 0,1 casos/1.000 nascidos vivos. A taxa de incidência para que seja considerada eliminada a transmissão vertical do HIV é de menor ou igual a 0,3 casos/1.000 nascidos vivos, segundo a Organizadora Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Dia de Luta Contra a Aids

Neste sábado (1º), é comemorado o Dia Internacional de Luta Contra a Aids. A data foi instituída há 30 anos, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial de Saúde. Para marcar a data, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), irá participar de ações junto aos municípios em todo Espírito Santo.

Fonte: Folha Vitória