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Depoimento de Mara Machado

"Quando eu cheguei a São Paulo a primeira coisa que eu tentei foi um trabalho voluntário. O Projeto era o mais próximo da minha casa e tinha uma amiga próxima que viria comigo conhecer. A partir dessa visita eu me identifiquei. Aqui nós damos assistência não só para a criança portadora do vírus, mas para toda a família, para o grupo no qual essa criança está inserida.
Em um trabalho voluntário a primeira coisa que se pensa é na palavra [voluntário]. É um trabalho não remunerado, é um trabalho que você tem que se identificar e tem que fazer sem esperar algo em troca. Então, quando você vem fazer um trabalho que é nos bastidores, porque o voluntariado daqui é um bastidor, você não tem diretamente um contato com esse público que nós atendemos, que são as crianças portadoras do HIV, é quando a gente trabalha muito efetivamente. A gente está ajudando sem nada em troca, sem nem conhecer muito dessas carinhas para quem nós fazemos as sacolas e todos os outros preparativos. Essa é a questão do cuidar sem esperar.
Quando as pessoas buscam fazer algo sem esperar nada, nem um sorriso ou um "obrigado", sem ter o contato e se identificar no fazer por fazer, é onde você encontra o voluntariado hoje dentro do Projeto. Aqui você vê um trabalho concluído. Uns dos trabalhos que nós fazemos aqui são sacolas mensais pra essas famílias. Então ali você tem que identificar a necessidade daquela família, a necessidade daquela criança e imagina-la fisicamente. É quando você vai se alimentando um pouco do que você procura.
Eu estou aqui há três anos porque eu me identifico com a filosofia do projeto. Nós temos os grupos da semana, então eu venho toda quarta-feira e o grupo que vem nesse mesmo dia comigo é muito unido e você acaba se apegando também à história de vida dessas pessoas que vêm aqui fazer algo. É onde entra essa questão do voluntariado e também dos voluntários. É quando você se identifica com essas pessoas que estão aqui sem esperar nada em troca e têm suas histórias, suas particularidades, nesse momento você acaba ficando aqui por três anos ou mais, porque tem voluntário que já está há dez, vinte anos.
O que me marcou foi a primeira vez que eu vi essas crianças, porque eu já estava no projeto há quase sete meses e nunca tinha tido contato. Me emocionei quando eu vi essa criança, que eu cuidei no bastidor, vi o sorriso dela por coisas básicas que toda a família deveria ter, que é uma vestimenta, uma alimentação e um brinquedo... Isso eu acho que é o que marca todo voluntário. E ao mesmo tempo que marca positivamente, também acho que alguns voluntários não permanecem muito tempo no projeto por essa carência de contato com as pessoas que nós ajudamos."

Mara Machado, formada em psicologia, voluntário desde 2014.